Campanhã
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Espaço Campanhã
O armazém 4 experimentou desde o início da sua existência várias utilizações. Armazém de produtos alimentares, de material eléctrico e serralharia, são alguns exemplos do forte carácter comercial que toda a área, em torno da estação de Campanhã, empenhou desde o desenvolvimento do transporte ferroviário, no inicio do século vinte, substituindo o transporte fluvial que até ai predominava. O movimento de mercadorias proveniente de vários pontos do país, nomeadamente do noroeste transmontano e beira alta, obrigaram à construção de vários armazéns nas imediações da estação, com vista à posterior distribuição pelo comércio tradicional que se expandiu e floresceu por toda a cidade. Se hoje a distribuição se concentra em gigantescos centros logísticos, até meados dos anos oitenta, toda a distribuição era individual e centrada, assim como o comércio tradicional, em pequenos espaços, dos quais o armazém 4 foi exemplo.
Para além do movimento urbano que o comércio proporcionou, durante décadas, a zona oriental do Porto foi destino das fortes migrações das populações do interior do país, devido ao incremento do sector secundário. As áreas em torno da circunvalação, da Rua do Bonfim e Barros Lima, Av. Camilo, Rua do Heroísmo e Rua do Freixo foram artérias que reuniram em seu redor várias indústrias têxteis, metalomecânicas, entre outras. A "Calandra do Bonfim" e "A Esmaltagem Mário Navega" são bons exemplos dessa forte actividade indústrial que se manteve até finais do século passado.
Hoje restam apenas os vestígios, em forma de ruína, dessas actividades.
A zona vive, entretanto, uma tentativa de alteração de rumo de toda a função urbana em torno da Estação de Campanha. A edificação de um "moderno" edifício destinado aos serviços terciários em torno do ramo hoteleiro e das telecomunicações, a remodelação da estação, a construção da rede de metro são os exemplos dessa intenção de criar uma nova centralidade na cidade do Porto. Muitas são as vozes que afirmam que a cidade do Sec. XXI irá agora desenvolver-se para oriente.
Não ficámos à espera...
O Espaço Campanhã é hoje um espaço de experimentação e divulgação de arte contemporânea, acompanhando, descentralizando e aumentando o ritmo de apresentações já iniciado por vários espaços localizados por toda a cidade.
Pretende ser um espaço per si informal, de concentração, de debate, de exposição e de encontro de saberes em torno das artes plásticas. Por outro lado pretende preservar, alertar, o espaço como memória de um lugar, um mostrar de que é possível reconverter sem descaracterizar, dialogando com as características do meio onde se encontra inserido. Ao mesmo tempo deverá ser capaz de inovar e ao mesmo tempo provocar, questionar o vocabulário estético predominante.
A todos lançamos o desafio de dar uma espreitadela, um olhar curioso, uma apreciação crítica.
O Espaço Campanhã abriu a sua programação em Dezembro de 2008, com uma exposição colectiva composta por André Sousa, Renato Ferrão e Mauro Cerqueira. Seguiram-se um conjunto de acções individuais com Carla Filipe, Mauro Cerqueira, José Maia e Cláudia Ulisses. Ponto alto em termos de exposição temática foi a que decorreu em Abril, "Está a morrer e não quer ver", reunindo cerca de 30 artistas, partindo da comemoração dos 35 anos da revolução de Abril. Esta exposição desafiou-os a especular, não só sobre o passado pós revolução como também sobre o futuro da nação. O vídeo ocupou o Espaço Campanhã com um colectivo de seis elementos, Diana Rio, Francisco Eduardo, Francisco Queimadela, Helena Menino, Mariana Calo e Mónica Baptista, que apresentaram o projecto "Olha lá 3 - Travelling" . O colectivo "Enbankment", em Junho, de Aida Castro e Jonhathan Saldanha e finalmente , Marco Mendes e Miguel Carneiro, em Julho, apresentando o projecto "A mula", complementaram a programação levada a cabo por José Maia.
Um profundo agradecimento a todos os artistas que colaboraram neste primeiro momento assim como ao comissário José Maia
Apesar do interregno de três meses, necessário para pequenas alterações no espaço inicial e para a criação de um armazém de vídeo e de uma galeria com vista a comercialização de obras sobre papel, dando continuidade ao ritmo expositivo da primeira fase, este projecto reinicia a sua actividade com três propostas. Luís Magalhães, Patrícia Azevedo e um colectivo constituído por Luís Figueiredo, Luís Magalhães e Miguel Santos, apresentam respectivamente pintura, vídeo e desenho.
Tabacaria
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Galeria de Papel
A "Tabacaria"(Galeria de Papel) trata-se de uma galeria com entrada pela rua Pinto Bessa, nº 170 r/c traseiras na cidade do Porto, dedicada exclusivamente à mostra de trabalhos sobre papel. Procura através de uma exposição mensal a divulgação de um conjunto de artistas nacionais e internacionais que trabalhem em torno da prática do desenho, privilegiando um conjunto de práticas que se entrecruzam quando falamos desta disciplina nos dias de hoje.
O espaço visa a exposição de artistas que se debrucem sobre o desenho como prática contemporânea e a colaboração com entidades publicas e privadas, com o intuito da divulgação de um conjunto de obras desenvolvidas no território do desenho português e internacional.
A publicação, obras gráficas, escrita, critica, workshops , conferências e um conjunto de actividades paralelas também são do interesse deste espaço numa procura de questionamento dos limites desta prática.
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Armazém de Vídeo
Anexado a este local , situa-se o Armazém de Vídeo, que tem como objectivo a exposição de um conjunto de práticas relacionadas com o vídeo e suas formas de exposição. Numa espécie de blackbox, sempre em modificação, o espaço pretende criar um ambiente que permita a exploração deste médium, quer na sua abordagem mais tradicional, como integrado em video-instalações ou coabitando com um conjunto de objectos pertencentes a um conjunto distinto de práticas discursivas.
Convida-se aqui os artistas a desenvolverem trabalhos que reflictam acerca de novos modos de olhar sobre esta disciplina, criando as mais diversas formas de questionamento da mesma.
Ambos os espaços, procuram não só a exposição, mas também o arquivo e conservação das distintas peças dos artistas, que se encontrarão à disposição do visitante do local.




